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Ah, ele que dizia que queria morrer doce quando o mundo acabasse em mel“.

Di Melo

Com o corpo polvilhado por açúcar de confeiteiro e doce de leite nos mamilos e na vagina, Lúcia deitou-se sobre o balcão com a mesma prática com que untava as formas e gemeu ao sentir sobre si o peso de Valney, com o peito e o pênis lambuzados de leite condensado. Era o bem casado.

Com o tempo, Lúcia e Valney passaram a diversificar o sexo de uma maneira diferente. Não fazia muita diferença se ele estivesse sempre sobre ela, ou se ela ficasse todos os dias da semana de quatro. Eles procuravam sair da mesmice adotando doces diferentes para cada transa, uma atividade cumprida religiosamente, de segunda a sexta, pelo casal de amantes confeiteiros ao fim do expediente. O favorito da dupla era o petit gateau. O contraste do gelado do sorvete de creme na bunda de Lúcia com o chocolate quente na pélvis de Valney produzia uma sensação incrível.

A Açúcar e Magia era uma das confeitarias mais conceituadas de São Paulo, com boas citações nos principais guias de gastronomia da capital. De dia, a burguesia dos Jardins levantava o dedinho ao tomar o expresso no valor de 9 reais e fechava os olhos para saborear o pedaço de bolo vendido a não menos do que 22 reais. A partir das 19 horas, as portas se fechavam para que Lúcia e Valney iniciassem a orgia diabética.

Os dois se conheceram no trabalho e não tinham muita afinidade, até que um dia Valney sugeriu que esperassem uma hora na confeitaria para não pegarem o ônibus tão lotado. Quando ainda era 19:20, os dois não tinham mais o que falar e, para dar um fim ao constrangimento, Lúcia resolveu dar um beijo em Valney. Em alguns segundos, os funcionários da Açúcar e Magia já haviam substituído a roupa pela cobertura de caramelo.

O que Lúcia e Valney não imaginavam era que um crime mudaria completamente a vida do casal. Não, eles não foram assaltados ou baleados. Foi apenas um furto e, na verdade, os dois ainda nem trabalhavam na confeitaria. Vera, a dona do estabelecimento comercial, notou a falta dos óculos que havia deixado no caixa e colocou a culpa na atendente. Sem provas, não pôde demiti-la, mas resolveu instalar câmeras na Açúcar e Magia. Mas havia um detalhe no equipamento de segurança: as micro câmeras ficavam escondidas dos funcionários.

Em dois anos, Vera não flagrou, pelas imagens que recebia em seu celular, nenhum funcionário tentando furtá-la, o que a deixou ainda mais irritada, mas percebeu que as câmeras eram de grande valia quando, de casa, enquanto jantava com o marido e os dois filhos, assistiu atentamente ao merengue: a transa em que Lúcia e Valney, brancos de chantilly, esfregavam morangos amassados em suas genitálias.

Vera saiu rapidamente da sala de jantar, horrorizada, para assistir à cena de sexo explícito ao vivo no banheiro. No dia seguinte, chegou à Açúcar e Magia decidida a demitir os dois funcionários por justa causa. Quando se aproximou de Valney, todavia, teve a noção, finalmente, do que significava aquele cheiro que a intrigava diariamente, uma mistura de suor, açúcar e sexo. Vera recuou na decisão de demiti-los e passou a esperar ansiosamente, todos os dias, pela chegada das 19 horas quando, em seu banheiro, excitava-se com o cardápio da renomada confeitaria dos Jardins.

Vera passou a desejar Valney, cada dia mais, e evitava ficar na loja, porque não conseguia mais controlar o ímpeto perto do funcionário. Um dia, num horário de menor movimento, pediu a Lúcia que buscasse uma extensa lista de produtos no supermercado. E ainda ordenou um supermercado específico, bem longe da confeitaria. Quando Lúcia saiu, Vera fechou as portas e disse a Valney que precisava ter uma conversa séria com ele. Quando o confeiteiro sentou na cadeira, Vera despiu-se e, da mesma forma com que passava o creme da Victoria Secret, lambuzou o copo inteiro de Nutella.

– Vem me comer, meu formigão! -, ordenou a patroa.

Valney ficou em choque, paralisado, e, quando Vera decidiu que ela deveria ser a formiga, o confeiteiro não conseguiu ter uma ereção.

Vera voltou para casa deprimida, mas enfureceu-se mesmo três dias depois, ao ver que os funcionários haviam retomado a esbórnia. Após o ocorrido, Valney havia dito a Lúcia que os dois não deveriam, por prudência, continuar transando na confeitaria, mas o pacto durou apenas o tempo de o casal perceber que não conseguiria mais viver sem cumprir o cardápio do sexo.

Uma semana depois, entretanto, depois de gozarem ao sabor do petit gateau, não tiveram forças para se limparem rapidamente e pegarem o ônibus, como faziam sempre. Sentiram um cansaço fulminante e adormeceram sujos sobre o balcão. Do banheiro de casa, Vera assistiu com excitação e angústia às milhares de formigas que aos poucos chegavam famintas aos corpos açucarados do casal, devorado calmamente. Quando foram encontrados mortos no dia seguinte, Lúcia e Valney ainda exibiam em seus rostos dois sorrisos de satisfação.

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