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I

 

tua presença esmorece meus dias

minha fala e por vezes, versos

meus argumentos minha defesa

esfarelam-se

 

tua presença anoitece no meu gesto

e por mais fraco que eu seja

não choro

 

tua presença alcança meu ser fóssil

é quando numa anti-arqueologia

faz-me desaparecer

 

tua presença é grito de ordem

que berro suado e atendo

 

como meu cão que sorri

quando esqueço a comida

 

tua presença é meu olho-pecado

que não arranco

 

sigo cego e só contigo

 

II

 

na tua fresta

rocei meus versos

até babar rijo

minhas limitações

 

lambi todas as tuas ordens

cada imperativo

cada exclamação

e na tua garganta

alargada

calei-me fundido

ao teu berro

 

prostrado após o gozo

obediente

cedi meu dorso

para penetrares

teus prismas

teus méritos

tua força de ser

e vingar

 

e vingou

 

meu corpo te cultiva

em noites solitárias

repletas de sonhos seus

que acato como pedidos

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