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A visão é vaidosa, atraída constantemente pelo brilho, pela exuberância e pelo belo.

O ouvido, por vezes, só ouve o que gosta, o que lhe é macio.

O paladar aprecia a doçura, recusa o amargo e o azedo.

O tato é instável; muitas vezes, sente sem sentir.

Já o olfato é o sentido que julgo mais profundo.

O cheiro da comida feita pela minha avó no fogão de lenha, o cheiro de rosas, jambo ou uma de florzinha que eu conheço como “sempre-viva” lembram meu pai chegando da labuta – ele tem o cheiro dos jardins que cultiva.

O cheiro de banho tomado de minha mãe, o cheiro de orvalho da manhã tão presente na minha infância, o cheiro de café me dizendo que é hora de re-começar mais um dia ou hora da pausa antes do fim do dia.

O cheiro de amor que a gente exala quando ama com honestidade e entrega. Apesar do meu mais profundo respeito por todos os sentidos, ainda sou dos cheiros.

O olfato me traz recordações, perfuma saudades, reaviva minha memória, ativa meus demais sentidos, aguça minha inteligência e minhas percepções de mundo e de mim mesma.

Tenho um nariz emocional demais… Esqueço nomes, rostos, lugares, sabores, sons, sensações, mas não esqueço jamais o aroma da coisa vivida.

E há dias que não respiro: unicamente farejo.

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