Na última década, temos assistido a grandes mudanças no mercado editorial: a fusão de grandes empresas, a explosão no número das médias e pequenas, a chegada do e-book e das plataformas de autopublicação, a consolidação de novos canais de venda, o crescimento do número de agentes literários e a chegada ao mercado de um novo público consumidor. Todas essas situações afetam você, escritor.

Se por um lado nunca foi tão fácil publicar um livro, nunca foi tão difícil distribuí-lo. Os papéis na indústria de livros, que antes eram bem definidos, estão cada vez mais superpostos – espera-se que o escritor assuma um papel fundamental no marketing e na distribuição de sua obra.

Nesse cenário, quais são as melhores oportunidades para um autor que quer ser publicado? Analisemos.

Mercado editorial: fusões e aquisições

Os anos 2000 foram palco de fusões e aquisições entre grandes empresas em todo o mundo e na maioria dos setores da economia. No mercado editorial não poderia ser diferente. O forte processo de aquisição de editoras menores pelas maiores atingiu o ápice em 2012, quando as já gigantes Penguin e a Random House se uniram para formar a maior editora do mundo. As Big Five, cinco maiores editoras dos EUA, detém em conjunto cerca de um terço do mercado editorial do país. No Brasil, dois grupos ganharam a dianteira do mercado – a Companhia das Letras-Objetiva e a Sextante-Intrínseca, que agora também detém 50% da LP&M.

Você pode se perguntar: e o que eu, autor, tenho a ver com isso? Bem, a lógica do grande mercado editorial mudou. Se as editoras brasileiras da década de 80 encontravam espaço para variar suas publicações, intercalando livros de sucesso fácil com outros mais reconhecidos pela qualidade do que pela facilidade de venda, hoje em dia a lógica de lançamentos é apenas a lógica de mercado: todo livro lançado deve dar o maior lucro possível. E nem só de boa literatura se faz um blockbuster, sabemos disso.

Há menos espaço para arriscar nos lançamentos. Na área de ficção, a ordem do dia é a tradução dos grandes sucessos já testados no mercado editorial norte-americano, especialmente aqueles com potencial para ganhar uma versão cinematográfica.

Uma olhada rápida dos livros mais vendidos dos últimos anos, de acordo com o ranking da Publish News, nos mostra a situação do mercado:

mercado editorial

Fonte: Ranking Publish News

O mercado de livros de não ficção é um pouco mais receptivo com autores brasileiros, mas tende a privilegiar os nomes já conhecidos do grande público. No mercado infantojuvenil, houve expressivo aumento do número de brasileiros no ranking em 2015 por conta de um fenômeno que analisaremos nas próximas edições da revista: o uso das redes sociais pelos escritores.

Tendência para o autor: se você é um autor desconhecido do grande público, suas chances de ser descoberto por uma grande companhia são pequenas. Mas continue lendo: as notícias melhoram a partir daqui. 😉

 

O papel da pequena editora

É justamente o gargalo deixado pelas grandes editoras que levou ao surgimento, nos últimos anos, de um número cada vez mais expressivo de editoras de menor porte, no Brasil e no mundo. Em geral, essas editoras se dedicam a nichos específicos de publicação, como poesia (Patuá, Demônio Negro), quadrinhos (Jambô) ou ficção científica (Aleph, Draco), só para citar alguns exemplos.

As pequenas e médias editoras são as grandes responsáveis pela bibliodiversidade no país, apresentando temas e formatos de publicações que não são de interesse das maiores. O trabalho de muitas delas tem sido reconhecido nacional e internacionalmente, como provam as últimas edições do Prêmio Jabuti. A Pallas, editora especializada em temas afrodescendentes, foi indicada como finalista em 2016 do Best Publishing of the Year – Categoria Infantil, importante prêmio da Feira de Bolonha.

Tendência para o autor: cada vez mais, pequenas editoras devem surgir à procura de bons autores. Ainda que não tenham muito capital para investir em grandes tiragens ou pagar a exposição de seus livros nas grandes livrarias, elas oferecem boas oportunidades para autores ainda desconhecidos do grande público. Certamente, são uma opção a se considerar para os escritores em busca de publicação, mas fique atento ao nicho de cada uma antes de enviar seu original para análise.

 

Os e-books

Em tempos de Amazon, nada é mais fácil do que publicar um e-book. A pergunta é: vale a pena? Nossa resposta: depende.

O mercado brasileiro de livros digitais ainda engatinha. O faturamento dos livros digitais foi estimado pela pesquisa CBL/SNEL/FIPE de 2014 em R$ 1,2 milhão, o que representa apenas 0,31% do faturamento dos livros impressos no mesmo período no país. Nos EUA, este valor encontra-se próximo de 3%.

A venda de e-readers ainda é bastante tímida no Brasil. Na análise de Carlo Carrenho, em um país que lê pouco não faz mesmo muito sentido a compra de um gadget específico para a leitura. Por outro lado, os tablets estão com suas vendas em queda, tanto pelo aumento do dólar quanto pelo surgimento dos phabets, aparelhos de tamanho intermediário entre os smartphones e os tablets – mas que não são tão confortáveis para leitura quanto estes.

Nos EUA, duas tendências estão sendo observadas: primeiro, que as pessoas tendem a comprar o e-book E o livro (e não OU). Um número expressivo de pessoas adquire e-books de livros que já leram e gostaram. Segundo, também tem se notado que o número de livros lidos por pessoa tem aumentado, por conta do preço e do fácil acesso aos e-books.

No Brasil, no entanto, essas tendências não foram observadas até agora. Inicialmente, foram as grandes livrarias que não permitiram a popularização do e-books. As grandes cadeias se recusavam a vender livros cujo equivalente digital tivesse preço inferior a 70% do preço de capa do livro físico, cenário ´que só começou a mudar depois de consolidarem seu domínio na distribuição e venda de e-books e e-readers – os principais produtos no mercado são o Kobo (Livraria Cultura), o Lev (Saraiva) e o Kindle (Amazon).

Tendência para o autor: o mercado de e-books no Brasil ainda é uma incógnita. Com o crescimento de uma geração nascida já na era pós smartphone, é provável que o boom dos e-books no Brasil ainda esteja por vir, num futuro talvez não muito próximo. Se você estiver a fim de testar a ideia, vá em frente: só não se iluda com as vendas que as plataformas podem te trazer – a responsabilidade pelo marketing e venda do livro é toda sua (mas ei! em breve traremos por aqui ideias incríveis para te ajudar nessa tarefa).

No próximo número da Revista Ninhada, abordaremos outros temas: a formação de novos leitores, os pontos de venda não tradicionais, a autopublicação, os agentes literários, o uso das redes sociais e o papel do governo. Até lá!

Mostrando omentários
  • Tiago Geraldo Macedo Pena.

    Olá tudo bem.

    Sou escritor, e como todo escritor estou buscando meu espaço entre tantos gigantes, atualmente estou publicando pela editora via lynce, com dois livros de romances e um de crônicas. Tenho ciência dos novos rumos que a literatura está tomando, mas não devemos desanimar, bola pra frente.
    Amo tudo o que desrespeito à literatura, a coluna de vocês é maravilhosa.

    Um abraço.

    Meus livros estão no clube de autores, na Amazon, ” Diário da solidão ” e ” História sem cores”

    Atenciosamente.
    Tiago G. M. Pena

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    • Nikki

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