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Na coluna anterior, falamos aqui sobre o estado do mercado editorial brasileiro, o papel da pequena editora e dos e-books. Agora, falaremos sobre outros temas de interesse para quem pretende publicar um livro no Brasil: a formação de novos leitores e os pontos de venda não tradicionais.

Formação de novos leitores: a geração Harry Potter

Um debate importante em um país que ainda lê pouco é sobre a formação das novas gerações para a leitura. Na década de 1980, os leitores formavam-se basicamente lendo livros infantis e infanto-juvenis nacionais. A Coleção Vagalume era sucesso de vendas e de leitura nas escolas. A TV e o cinema – salvo algumas exceções – não tinham um papel predominante na criação do hábito de leitura.

Hoje, o panorama é diferente. As escolas tem focado em ensinar os alunos a responderem questões de vestibular sobre livros clássicos da literatura em língua portuguesa. Estes livros pouco despertam o interesse dos jovens pela leitura, pois trazem no geral temáticas que fogem da realidade desses leitores. Por outro lado, a TV, o cinema e a internet tem desempenhado papel fundamental no estímulo à leitura. Se antes líamos as fantasias nacionais da Coleção Vagalume, hoje são os blockbusters internacionais, como a série Harry Potter, que tem criado uma legião de novos leitores.

Tendência para o autor: os livros de fantasia continuam a sera grande tendência de vendas para o público infanto-juvenil. 

Pontos de venda: muito além da livraria

O sonho de todo escritor é mais do que lançar um livro. É lançar um livro e vê-lo à venda nas prateleiras das grandes livrarias. Mas este sonho tem se tornado cada vez mais obsoleto.

As livrarias e distribuidoras de livros responderam, em 2015, por 68% dos livros vendidos no país, segundo pesquisa da FIPE, Câmera Brasileira do Livro e SNEL. Já a venda por catálogo e porta a porta respondeu por quase 10% dos exemplares vendidos.

A venda nas livrarias é menos acessível hoje para as pequenas e médias editoras e bastante difícil para os autores independentes. Antes, as livrarias escolhiam os livros de destaque nas gôndolas por um processo de curadoria literária. Atualmente estes espaços são alugados às editoras que querem expor seus livros.

Tem sido cada vez mais comum as editoras buscarem canais alternativos de venda. Os eventos literários, as feiras alternativas, os catálogos e a venda porta a porta, os ponto de venda não tradicionais – supermercados, padarias e até as estações do metrô – e a venda direta pela internet são as principais apostas do momento.

Tendência para o autor: para quem está começando, vender por canais alternativos é a melhor saída para conquistar público – e atenção das grandes editoras.

 

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antônio nóbrega