Acordo. Mesmo antes de abrir os olhos, meu primeiro contato com o mundo é uma imagem. Pode ser um resquício do sonho recém-terminado, pode ser o início dos fragmentos do dia. Antes ainda de deixar a luz entrar, as imagens já existem na nossa tela mental, feito sala de cinema particular. Entre elas, num fluxo poderoso a pulsar eterno pelas nossas veias, serpenteia a narrativa, construída cena pós cena justapondo significados, costurando em suas bordas um grande fio: Nosso olhar. Uma paisagem interna que emerge. história

Já despertos (ou nem tanto), seguimos observando a vida filtrados por essa realidade interior. Nas pessoas que conheço e conhecerei, nos conflitos do dia a dia, nas emoções vivenciadas, em tudo há o eco do que dentro habita. O externo como reflexo do interno, dois mundos em plena conexão, em mútua influência, um retroalimentando o outro. Nossa pele e demais sentidos como única fronteira, ainda que ilusória, separando o “real” do “imaginado”.

Seria um o oposto do outro?

Aprendemos assim. Imaginação: Capacidade mental de gerar imagens. Terreno seguro. Aquilo que não é factual, real, visível, apalpável, sensível às cascas dos sentidos mais externos. Assim, agarrados a esse argumento, espantamos os monstros da infância. “Imagino, logo não existe”.

Até que um dia, existimos como nunca.

Somos capturados, raptados por uma história.

A princípio, os efeitos são aparentemente tênues. Seguros. Tudo ainda “lá dentro”. Dá uma mexida dos sentimentos, a gente até chora ou ri, depois pensa que ficou por isso mesmo. A partir daí, algo da vida muda. Algo até então estável fica sujeito às fissuras, placas tectônicas movem-se pela boca da noite, dando sinais entre sonhos. A narrativa cresce, abre espaço, constrói mundos, cria e destrói personagens, reorganiza a paisagem interna. E quando menos se espera, a “vida lá fora” vira do avesso. Manifestam-se os novos cenários, surgidos como “por encanto”, animados pela força inofensiva das imagens que se formam no campo dos sonhos. Transbordam pelos poros, lembrando que a pele que divide os dois mundos é absolutamente permeável. Tudo isso porque a gente ouviu um relato de algo irreal, com personagens forjados em cenáriosimprováveis. Mas tudo isso ressoa como uma verdade indubitável.

Como isso é possível?

Será esse mundo interno igualmente vivo, existente?
Será a imaginação um lugar não-seguro?
Serão reais os personagens da fantasia, dos mais bondosos aos mais assustadores?

Para a mente, não há diferença. Um estudo publicado na revista Brain Conectivity relata que cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram que o cérebro de um grupo de participantes registrou os movimentos, sensações e emoções que uma experiência literária proporcionou, como se eles a tivessem vivido na vida real. Assim como acontece durante um sonho de emoções intensas, ao nos conectarmos de corpo, emoção e alma a uma boa história, ela opera mudanças no interior do psiquismo humano.

Não foi apenas uma história. Foi uma experiência registrada como real.

Mas será que todas tem esse poder?

As imagens, independente da sua organização, possuem atmosferas e significados. Mas é a forma como elas são ordenadas o que determina o alcance e a profundidade do que elas despertam. Algumas narrativas mais “pasteurizadas” não trazem ondas nem na superfície, porque na verdade são variações fabulosas de uma ordem artificial onde nada de fato acontece. São os Contos do Nada. Preservam a ordem estabelecida, evitam questionamentos, dividindo em caixinhas os “tipos” humanos e suas previsíveis ações.

Porém um conto do profundo, ainda que nem complete uma página, tem o poder de despertar maremotos. Atiça as emoções, nossos oceanos, cachoeiras, os rios que fluem no nosso sangue pedindo a passagem de personagens, lugares e argumentos. Uma vez resgatados de sua ilha represada, rompem barreiras, liberam energias, reorganizam e reequilibram o universo interno. Provocam mudanças, mas nos devolvem o néctar da vida.

No contato íntimo e corajoso com esses conteúdos libertos, achamos novamente a fluência e o pulso.

Ao conectar nossos infinitos mundos, deixamos de ser fragmento.

Nessa unidade da diversidade que somos, nossa verdadeira história se mostra.

A grande aventura de navegar

De ouvir, com coragem, o que precisa nascer.
Para depois
(revivendo) 
contar.

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  • http://www.shopmiscere.com/

    Mal wieder total schöne Bilder!Das mit dem Experiment merkt ich mir.Passt gut zu mir, da ich im Kindergarten grad ne "Forscherwerkstatt" einrichte!LG Aletheia

  • Dearborn, MI auto insuarance

    Ta strona to piÄ™kny żagiel. Trzymajcie siÄ™, bo zaraz zdrowo dmuchnie!Wielkie gratulacje! ZdjÄ™cia to po prostu Wasza kwintesencja! OsobiÅ›cie jestem admiratorem “serwisu”.Pozostaje mi jedynie życzyć dobrej zabawy.Wasz m.

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    Our daughter has student loans and we have a Parent Plus loan for college and have never seen a cent of the money. It is forwarded directly to the college.

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