Pode ser que você nem goste do estilo de escrita de Elizabeth Gilbert. Não importa se você se identifica com a viagem em que tanto se comeu, rezou e amou. Na verdade, nem importa muito se você é escritor. Em “Grande Magia” (Objetiva, 2015, 187 páginas), o único interesse é compartilhar relatos sobre o ato de “viver uma vida mais motivada pela curiosidade do que pelo medo”. Dito assim, pode parecer que entramos no ramo da autoajuda. Nada contra. O ponto é que eu realmente acredito que há certas questões fundamentais -relacionadas ao nível de conhecimento que cada escritor tem sobre seu próprio processo criativo – sem as quais a técnica literária nem chega a funcionar. E, em apenas uma tarde, dá para passear pelos seis eixos temáticos que Liz propôe na busca por essa “existência mais ampla”: coragem, encantamento, permissão, persistência, confiança e divindade.

Os conselhos vêm de todo tipo de fonte: daquela amiga que ficou 25 anos sem patinar (“pra que se dar ao trabalho, se você não pode ser a melhor?”) e, de repente, ignorou seu medo, foi lá e fez; de um livro sobre a Amazônia, que Liz teve de abandonar, apenas para descobrir que havia sido desenvolvido, quase nos mesmos moldes, por outra escritora, sem que elas tivessem tido contato (mistérios da criação!); do diário de Marco Aurélio, em que o filósofo romano diz a si mesmo que “não há problema nenhum em não ser Platão” (aparentemente, o perfeccionismo é mais antigo que a Antiguidade Clássica). Enfim, é dessa rica, divertida e democrática mistura de vozes que se constrói, em fluxo constante e amigável, a conversa altamente produtiva que me levou a pensar sobre minhas próprias amarras criativas e, até mesmo, sobre o papel do medo como aliado em certos momentos de nossas vidas.

A Grande Magia: medo e coragem

Sim, porque, apesar de coragem ser seu primeiro tema, Liz discorre sobre a importância de darmos espaço ao medo. Eles nos protege: está preocupado com nossa saúde, nossos sentimentos, nossa sobrevivência e merece seu cantinho lá no banco do carona (ou atrás, com as crianças!) desde que não se meta no terreno das decisões criativas. Mas nem todas as dicas são tão filósoficas e abstratas. Há incríveis discussões sobre como alguns artistas parecem querer que sua criatividade trabalhe para eles – no sentido de remunerá-los mesmo – ou não é considerada boa o suficiente, enquanto Liz sugere um caminho contrário. Se querermos viver a criatividade, devemos vivê-la sem impôr o peso da sobrevivência a seu desenvolvimento.

Duro de engolir? Talvez. Mas me pareceu tão libertador quanto sua visão sobre as Ideias e a Inspiração, fenômenos que estão por aí, em busca dos artistas com quem possam trabalhar, dispostas a colaborar com eles, sem precisar serem disputadas, nem exigirem sacrifícios para que nos provemos dignos delas. Sobre isso, ela já havia falado muito bem para o TED, comentando que, em vez de querermos todos ser gênios, porque não podemos pensar que todos temos um gênio criativo trabalhando conosco (assim, personificado mesmo), por mais louco que isso possa parecer?

a grande magia

A Grande Magia, de Elizabeth Gilbert

Bem, se quiserem saber mais, basta ler A Grande Magia. Aproveitando o gancho audiovisual, devo dizer que, como parte de sua campanha promocional, Liz lançou uma série de podcasts disponível no ITunes, no SoundCloud e no Stitcher Radio (http://www.elizabethgilbert.com/magic-lessons/) em que convida escritores iniciantes para conversarem com ela sobre suas questões em relação ao processo criativo e, para não ser a única a dar pitacos, coloca esses convidados em contato com palestrantes, escritores mais experientes e amigos que ampliam seus comentários, dando outros pontos de vista em relação ao assunto em pauta. O nome do programa? Lições mágicas (no original, Magic Lessons)! Infelizmente, essas lições ainda não foram dubladas.

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    Faut être dasn ma tête pour me comprendre des fois…Et dans s’te grosse tête y’a d’la place juste pour moi Fak faut aussi accepter que y’a des choses dans la vie…Qu’on ne PEUT PAS comprendre

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    SilverYeah,yeah, but in the meantime I can still flatten the Bell Curve enthuiasts such as you in debate-with very little effort I might add. You know it and it pisses you off. By the way, if you look at the posts over the past three years over at American Renassaince and over at Sailer you find many serious critiques of the Hernstien-Murray Bell Curve world view. Completely irrelevant to the race replacement issue.

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